quinta-feira, 12 de maio de 2011

Blogs, Afins e Turismo

E Holanda escrita por Brasileiros

É muito bom viajar, conhecer a história, a paisagem, os sabores de outro país. É fácil apreciar um museu, visitar uma igreja antiga ou um lugar histórico. Mas é difícil conhecer a alma de um povo. A largada de hoje é para visitação de blogs. Temos certeza que vale muito a pena nos acompanhar! Convidamos você a tentar descobrir particularidades, diferenças e destaques nos blogs que tratam de turismo no exterior, descobrimos fora das montanhas de minas, uma mineira que vive na Holanda.


Que tal começarmos agora a nossa viagem pelo “Dia a Dia”
(http://www.diaadiagimoca.blogspot.com/). Dá uma espiadinha por lá! De acordo com nossa super bisbilhotação na grande rede, este blog é feito por uma brasileira, mineira de Barão de Cocais, morando em Eindhoven/Holanda, com o marido e o filho Pedro. Gisele Morais, viveu em Divinópolis, Belo Horizonte, Leopoldina, que é a cidade natal do Pedro, e agora vivencia o jeito holandês de ser. Os holandeses vestem-se de forma bem despojada. Lá é fashionser descontraído, fingir que não se liga para essas coisas. Esse é o jeito holandês de ser, independente e liberal.

Acredito que os holandeses realmente são pessoas contraditórias, como a própria Holanda no conjunto também parece ser. Um país carregado de história e de arte. De certa forma, um país poético, na sua arquitetura, nos seus moinhos, nas flores, nas bicicletas. Por outro lado, a liberdade e a vanguarda são muito marcantes. Quem vai a Amsterdam, se impressiona com a naturalidade com que as pessoas convivem com o sexo e com as drogas.  Com certeza, esse é um aspecto da cultura muito mais vendido para os turistas. É o que torna Amsterdam única e, por isso, tão atrativa. Nas outras cidades da Holanda, esse ar liberal não é tão forte.

Outro Blog que fala da Holanda é o Ducs Amsterdam – http://www.ducsamsterdam.net/about/ - feito (escrito, editado e fotografado) por Daniel Duclos, um brazuca morando com a esposa na Holanda. Ele criou esse blog, pra contar o que vai vendo, aprendendo e descobrindo por este belo país. A idéia é fazer artigos ilustrados com informações, impressões e insights apresentados de uma maneira agradável. Então tem fotos, crônicas, dicas (muitas dicas), curiosidades, relatos de viagens que fez, tanto na Holanda quanto na Europa.

Pois é, viajamos por dois dos melhores blogs de turismo da atualidade da Holanda. Apenas estou indicando dois brasileiros que por viverem fora do nosso país, contam do seu jeito o mais interessante, dentre os que costumam visitar. Se o seu é bom, tem conteúdo atualizado, e não está na lista. Os comentários estão aí, para você divulgar o seu blog. Fique a vontade.


Estrada Real em Paraty junta história, natureza e conforto.

 “O ouro passou, mas a riqueza continua, em Paraty, até hoje.”

Do barroco à modernidade. Assim foi construída a Mini Estrada Real – Parque Temático Histórico e Cultura, em Paraty. O parque ocupa um amplo terreno, localizado na estrada Paraty-Cunha, a aproximadamente 2 km do trevo de Paraty. Maquetes de monumentos das várias cidades que compõem a Estrada Real, de Ouro Preto a Paraty, podem ser conferidas no local.

Os antigos casarões, igrejas e monumentos históricos, a arte e a diversidade do Caminho Novo da Estrada Real (ER) estão representadas em 27 maquetes. São miniaturas de construções que carregam muita história e simbolizam a cultura de caminhos e cidades que marcam o destino turístico.

O projeto da Mini Estrada Real é de Marcelo Castanheira. Artista Plástico apaixonado pela rota turística, que passou sua adolescência nas cidades mineiras e desde então, é encantado com seus monumentos e beleza.

Serviço:

Blogs:
Para saber mais sobre este atrativo, acesse www.miniestradareal.com.br.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A ética no jornalismo, base da democracia


O debate em torno da ética jornalística tem por hábito situar o jornalista numa espécie de Olimpo, onde ele permanece como integrante de uma casta privilegiada. Não somente o próprio jornalista se autoproclama um intocável, como lança para a opinião pública tal imagem. Na prática, não deveria haver esse muro demarcando os limites entre o jornalista e o interesse público. A ética jornalística é a ética do cidadão.

É pensando assim que a empolgante palestra com o repórter e jornalista, Caco Barcellos, que ministrou uma palestra sobre “Liberdade de Imprensa – Ética na Comunicação: Limites e Responsabilidades da Imprensa”, destacou que o jornalista tem que ter em mente que a informação é um direito fundamental da sociedade. Portanto, quando se fala em ética, é preciso concordar que ela deve ser um imperativo moral para todos e não apenas para um ou outro segmento.

Na ocasião, ele que contabiliza mais de 35 anos de atuação na área, tendo se especializado em reportagens investigativas, documentários e grandes matérias sobre injustiça social e violência, dividiu suas impressões sobre o ofício jornalístico e suas implicações socioeconômicas.

O gaúcho afirma que “vergonha na cara”, herança de seu pai, é característica fundamental tanto para jornalistas quanto para qualquer cidadão que queira atuar de forma construtiva na sociedade.

O encontro motivou as reflexões sobre os riscos da profissão e representou a importância da reportagem investigativa e mostra o valor que deve ser observado no empenho da atuação profissional ética de um repórter de televisão, capaz de mudar o rumo da história política recente do Brasil. O bom jornalista deve ter método ético, postura responsável, apuração rigorosa e cuidados com o texto.

Barcellos pausou a palestra por algumas vezes para apresentar vídeos de reportagens que marcaram época, após serem apresentadas por telejornais da Rede Globo.

Na primeira intervenção, foi mostrado o vídeo em que o jornalista entra no apartamento de 400 metros quadrados, em Miami, comprados por US$ 800 mil pelo juiz Nicolau dos Santos, preso por ter desviado mais de 250 milhões do Fórum Trabalhista de São Paulo.

Primeiramente, com o acesso ao imóvel impedido pelos seguranças do prédio, o jornalista se passou por auxiliar de marceneiro para conseguir o seu intento. “Sabia que poderia pegar até meio ano de prisão por invasão de patrimônio privado, mas resolveu correr o risco para garantir que o país conhecesse o destino do dinheiro que lhe era roubado”, afirma.

A defesa apresentada que garantiu a absolvição para o processo judicial resultante da veiculação da reportagem foi de que de certa forma o imóvel do juiz Lalau (como foi apelidado pela imprensa) era em uma pequena fração proveniente de seu imposto, portanto patrimônio dele.

Barcellos destacou que faz parte da ética do jornalista não se corromper nem a terceiros para buscar uma prova que fundamente uma reportagem.

Outra reportagem apresentada no telão, que chocou os presentes, foi a sua cobertura da guerra civil angolana que vitimou centenas de milhares de pessoas. Em um dos momentos mais dramáticos da reportagem, um médico chinês de um grupo humanitário lutava para manter vivo um bebê alvejado nas costas, contando apenas com os poucos recursos de um posto médico sem luz ou água tratada. Tanto a criança quanto um enfermeiro atingido na cabeça durante a operação de resgate de feridos com uma ambulância não sobreviveriam a noite.

Barcellos afirmou que a guerra civil é uma realidade brasileira. Há dez anos, na lista dos cinco países mais violentos do planeta, o país tem uma média de 50 mil pessoas vitimadas anualmente pela violência. “Em São Paulo, mais de 45% dessas pessoas são mortas pelas tropas de elite da polícia militar, muitas vezes em ações de extermínio que contam com a conivência da imprensa. Os veículos de comunicação trazem os fatos a público com a explicação de que elas foram ocasionadas por confrontos com a polícia”, diz. Segundo ele, mais de 300 mil pessoas foram mortas pela polícia nos últimos dez anos, “a maioria com a cumplicidade do silêncio de jornalistas”, protesta. Conforme o profissional, esse número é quase o dobro de mortes registradas na recente guerra do Iraque.

Para Caco Barcellos, muita gente olha desconfiada para os membros da imprensa, quando eles chegam com as forças de repressão policial. Uma das maiores preocupações para profissionais da área é entender que o outro lado da história deve ser consultado para garantir o conflito de opiniões fundamental para a boa prática do jornalismo. Os jornalistas devem fugir dos clichês profissionais e buscar trazer informações do outro lado. Só com o relato de todas as partes envolvidas o leitor pode se informar de forma satisfatória sobre os ângulos de uma reportagem.

Pensar a ética jornalística no dia-a-dia das redações é antes de tudo cobrar do repórter responsabilidade na apuração e redação dos fatos. Definir o que é notícia e mostrá-la de forma verdadeira e clara, deixando de lado todas as convicções partidárias à pauta para refletir no texto apenas o que foi apurado in loco. Caso esta regra clássica não possa ser cumprida é melhor "deixar à pena de lado" e a matéria apenas na cabeça de quem a pensou. No jornalismo ético só há lugar para opiniões em colunas, artigos e editoriais.

Assim, ética, honestidade, trabalho sério não devem ser adjetivos ou penduricalhos gramaticais na vida do profissional. Devem ser a essência da profissão. Na verdade ética não é um assunto para ser discutido ou ensinado. É para ser praticado porque ser honesto consigo mesmo e com o leitor não é favor algum.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

12 brasileirinhos mortos 190 milhões de feridos

Uma das cidades mais bonitas que conheço, com uma natureza exuberante, cheia de história e sempre na vanguarda da violência e corrupção do país. Mais uma vez, o Rio de Janeiro está presente nas manchetes da imprensa nacional e internacional. Vítima de uma crueldade. Sim, o que dizer numa hora dessas em que várias famílias estão em prantos?... Eu estou em prantos. Estou perplexo... Nasce uma revolta dentro da gente. O mundo todo está um caos, não é só o Rio.

Realengo, zona oeste do Rio de Janeiro. Doze crianças foram baleadas numa escola do Rio... Doze crianças foram assassinadas por um doido, maluco. Maluco este, ancioso pelos seus 15 minutos de fama. Esse maluco que matou as crianças na escola poderia ter surtado em qualquer lugar do mundo.

Mas porque no Rio de Janeiro ? Tinha que ser na Cidade Maravilhosa, tinha que ter a triste honra de ser a primeira cidade brasileira desse tipo de massacre sem causa. A gente sabe que foi um ato insano de uma pessoa totalmente fora de suas faculdades mentais pra cometer uma barbaridade dessa natureza.

A dor do pai e de uma mãe, que levam os filhos para a escola felizes e três horas depois descobrem que não têm mais seus filhos. Vamos enterrar nossas crianças mortas e lutar para que isso nunca mais aconteça, nem aqui ou em qualquer outro lugar do mundo. Não podemos simplesmente matar nosso futuro.

Não há muito o que dizer. O Brasil está de luto. A tragédia entristeceu a todos nós. A manchete de capa do jornal Diário de Pernambuco, foi a que melhor retratou o sentimento do povo brasileiro, após o assassinatos. São 190 milhões de brasileiros sentindo a dor e a perplexidade dos pais dessas crianças, assassinadas sem piedade.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Entrevistas e entrevistas

Ora, ora, os radicais -- de direita ou de esquerda -- são aqueles que estão "fora da casinha" e , portanto, não se pode levar a sério. Sobre o polêmico vídeo, entrevista de Bolsonaro para o CQC, concordo com o Marcelo Tas, o Bolsonaro não entendeu a pergunta da Preta Gil. Isso está mais ou menos claro assistindo o vídeo, parte final. 
 
"Como é que se diz sobre uma mulher que tem cabelos amarelados? Loira, certo? E sobre uma mulher que tem cabelos escuros? Morena, ok?
Não estamos falando sobre cor da pele, não é verdade? O que quer dizer que podemos chamar uma mulata de morena, em referência à cor do cabelo, correto? Errado.
Tente fazer isso e você vai ouvir críticas sobre racismo.
Diga assim: "Eu sou negro!" e isso é entendido como autoafirmação positiva de sua raça.
Diga: "Eu sou branco!" e já lascam um "fascista" em cima de você.
E se vc se diz "FEMINISTA", isso quer dizer que você milita em defesa dos seus direitos, dos direitos de toda uma categoria humana.
Diga que você é "MACHISTA", para ver o que acontece...
O "case" da entrevista do deputado Bolsonaro concedida à filha do Gilberto Gil, Preta Gil (atriz, modelo, cantora, jornalista, entrevistadora? O quê?) é uma comprovação de que você não precisa responder tudo à imprensa. Ninguém é obrigado.
Mas negar uma resposta de suas opções pessoais à imprensa (ou à Preta Gil) pode ser considerado uma espécie de "fascismo", de posicionamento autoritário, de Direita?
Não.

Dou um exemplo interessante.
O ator Keanu Reeves, no embalo do sucesso do filme "Velocidade Máxima", caiu dentro de uma espiral de fofocas. Diziam que ele havia se casado com um dos sócios da produtora DreamWorks, o David Geffen. Os repórteres não cansavam de perguntar se era verdade e ele não cansava de dizer que não iria responder.
Ele costumava dizer que se respondesse que não era gay poderia ser interpretado como alguém que nunca aceitaria a ideia de ser gay. E isso ele não queria passar adiante. Por isso, depois de ser pressionado pela sua própria produtora para se posicionar, ele disse:
"Não sou gay, mas quem sabe?"
Bolsonaro perdeu a chance de responder a pergunta com outra pergunta:
"VOCÊ veria problema em ver seu filho namorando com uma BRANCA?"
Se a Preta Gil respondesse "NÃO", ele poderia dizer: "Então você está dizendo que você PREFERE que ele namore com uma BRANCA?"
Estamos vivendo numa época muito chata sob a ditadura do "POLITICAMENTE CORRETO", e existem umas categorias humanas que estão em desvantagem nesse jogo.
Vejamos o caso do diretor do Burger King, Bernardo Hees, quando em uma palestra nos EUA disse, em tom de brincadeira, que a comida britânica é terrível e as mulheres de lá não são muito atraentes. Ele foi pressionado para pedir desculpas.
Mas pedir desculpas por quê? As mulheres britânicas são atraentes? Todas?
Que chamassem o cara de "FEIO" para retribuir o gracejo, mas não. O buraco foi mais embaixo.
Agora eu pergunto, do que estão chamando os brasileiros quando, nas competições de TODAS as Copas do Mundo, começam a fazer comparações entre a beleza dos jogadores de vários países?
Quem nunca viu esses comentários, endeusando italianos, franceses, etc, e deixando os brasileiros na "lanterninha" de beleza?
O que nós, homens brasileiros, deveríamos fazer disso tudo?
Ora, fazemos sempre a mesma coisa, encarar com bom humor.
(Cada um interpreta realmente do jeito que quer, por isso enalteci a posição do Keanu Reeves. Tem gente que captou racismo e machismo aqui, por incrível que pareça....)"

Mestre em Literatura pela UFSC)
 
Não há como pedir que uma minoria oprimida por séculos aja com mesma postura que a maioria branca. Enquanto houver preconceito (seja ele advindo de brancos ou negros), a minoria negra se comportará exatamente assim: mostrando orgulho, e tentando se igualar. Há que se dar tempo ao tempo. E quando, de fato, houver igualdade, nem se levantará discussões como esta.

terça-feira, 22 de março de 2011

Cordialidade e Simpatia marcam encontro histórico Barack Obama no Brasil

A visita de Barack Obama, Presidente dos Estados Unidos, ao Brasil, será uma oportunidade para que o governo Dilma reafirme nossas posições em favor de uma nova ordem mundial, baseada no desenvolvimento, na paz, nos direitos humanos e no respeito à soberania e autodeterminação dos povos. Será, também, uma oportunidade para que a sociedade brasileira manifeste sua opinião acerca da política estado-unidense.

O desenho da nova ordem mundial foi um dos pontos tratados na conversas Brasil e EUA. A participação do Brasil no conselho de segurança da ONU, com o apoio dos Estados Unidos, foi ponto fundamental para o governo Dilma. O Brasil tem demonstrado em sua política externa um tom conciliador nas questões internacionais, em oposição ao radicalismo existente em várias regiões do mundo. Participação do Brasil no conselho da ONU não é uma concessão das grandes potências, mas um direito e isso ficou claro no discurso do presidente Obama.

A visita do presidente Obama fortaleceu princípios e valores como democracia, família, igualdade e inclusão. Do pondo de vista prático é importante avançar a cooperação econômica, relações comerciais (redução do protecionismo) transferência de tecnologia, intercambio na educação e simplificação na concessão de vistos, entre outras questões. Não devemos ficar só nas inteções. Sem duvida, o saldo foi muito positivo.
 
Podemos dizer que a visita do presidente foi positiva. De um lado Obama foi educado com nosso povo e de outro o tratamos com gentileza. Por mais que tenhamos visões contrárias em diversos casos educação e respeito nunca é demais, ao contrário, faz bem e fomenta a democracia mundial.
 
A certeza que ficou depois dessa visita é que temos uma economia estável e somos indispensáveis no mundo. Ou seja, para que se consiga fazer relações comerciais no mundo é preciso conversar e formatar parcerias com o Brasil. E para isso será preciso abrir mão de taxas, impostos, etc. 

Acredito que para ascensão do Brasil a caminhada ainda será longa, mas aceitar novas alianças é interessante desde que não se coloquemos no lugar de país escravista, pois essa fase já passou. Ainda temos muitas regiões brasileiras que sofre com o coronelismo e que precisamos sair desse âmbito. Precisamos arrumar a casa para fazermos novos negócios para abertura do mercado.

Festa da Exclusão no Carnaval em Salvador

 
Enquanto foliões pagam cerca de R$ 500 para sair em um bloco, cordeiros ganham diariamente cerca de R$ 30

Um fenômeno que se expressa por tantas cores, significados, sentidos e sons. Um espetáculo múltiplo e complexo da cultura, capaz de revelar – de forma real, provisória e efêmera – a própria vida da Bahia e seu povo, que experimenta e vive o carnaval de bairro, dos circuitos, dos bailes; todos estes repletos de música, dança, confraternização e batucadas elétricas.

Considerada a maior festa de rua do mundo, a folia momesca reúne milhares de pessoas em apenas sete dias nos circuitos. São sete dias diferentes, anormais, prazerosos, vividos com alegria, expectativa, vibração e liberdade.

Uma contradição que ocorre na maior festa popular do Carnaval de Salvador se transforma há muito tempo em um verdadeiro comércio. De um lado, os ricos curtindo o melhor da festa em luxuosos camarotes ou nos blocos; como se não fosse o bastante, os camarotes cobrarem caro para os foliões desfrutarem das mordomias nos equipamentos, eles estão cada vez maiores e reduzem mais ainda o espaço da pipoca. Do outro, os foliões que se arriscam na pipoca e, entre eles, os cordeiros que trabalham duro para permitir proteger e dar segurança a uma elite.

A lógica do carnaval de Salvador é praticamente esta, uns poucos ficam alheios à festa e uns tantos, daqui e mundo afora, se entregam ao clima singular desta época. Há espaço para tudo e para todos, dentro do panorama econômico da sociedade. O carnaval visa a atender a essas novas demandas impostas pelos interesses do sistema econômico.

Mas a contradição desse Carnaval gira em torno da parcela afro descendente e carente, em sua maioria manter-se-á marginalizada, ocupando-se com a catação de recicláveis, manutenção da segurança, comércio ambulante e claro, os cordeiros.

Os cordeiros que trabalham incansavelmente sete dias de carnaval, que tem o tempo do percurso mínimo de cinco horas e o máximo, oito horas de folia; os cordeiros devidamente identificados com a marca de cada bloco garantem a segurança e a delimitação entre os que pagaram e os que não pagaram; os excluídos e os escolhidos; para ao final do dia receberem míseros R$ 30,00.

É tão somente o retrato do que ocorre o ano todo, e durante os 7 dias de festa acaba por concentrar-se no espaço da avenida. O clima de miséria gerada pela exclusão social do Carnaval de Salvador acaba e demonstra claramente que a festa beneficia o setor de turismo e claramente aos que podem pagar e usufruir dessa festa. É preciso, pois, que todos cidadãos, sociedade e poder público repense na maior festa popular do planeta.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Caraça, Sombra e Água Fresca

"Desde que se começa a subir a Serra do Caraça, cresce a beleza da paisagem e do alto descobre-se vastíssimo horizonte e depois uma das mais belas cascatas que eu conheço que forma lençóis e tanques e corre em fundo vale, estreitando pelas montanhas. Nunca admirei lugar mais grandiosamente pitoresco... O cruzeiro fulgurava em nossa frente e à esquerda Vênus faiscava quase sobre a montanha. Não posso descrever tanta beleza!" Dom Pedro II.

Para os amantes da natureza que estejam pelas bandas das Minas Gerais, uma ótima opção é passar um agradável fim de semana na Serra do Caraça, que fica a 120 km da capital. O local está localizado no município de Catas Altas e abrange uma área de 11.233 hectares.

É considerado um santuário ecológico, que compreende o complexo arquitetônico de inestimável valor histórico-cultural: o Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens e o antigo colégio setecentista, por onde passaram personalidades importantes da História do Brasil, como os presidentes da República Arthur Bernardes e Afonso Pena.

O Santuário do Caraça foi fundado em 1774 para servir de hospedaria para peregrinos e visitantes que por ali passavam. Fechado durante muitos anos, o Santuário foi reaberto na década de 70 e hoje figura entre os principais pontos turísticos do estado.

Passear pelas matas e trilhas, visitar cachoeiras, piscinas naturais e grutas, são algumas das atividades indispensáveis para quem visita o Caraça. O Parque também abriga espécies animais raras como a onça parda, o quati, o sauá, esquilos e o habitante mais famoso, o lobo-guará, símbolo do Parque. Todas as noites as pessoas se reúnem em círculo em frente à igreja para assistirem a chegada triunfal do lobo que vem em busca de comida. Ali é colocado um recipiente de carne para recepcionar o ilustre visitante. Não dá outra. Ele vem chegando de mansinho e come junto às pessoas, sem ao menos se preocupar com os flashes e com a euforia de todos que querem registrar aquele momento especial.

Por estar em uma área de transição, o parque possui uma vegetação rica, com grande variedade de flores. Elas atraem várias espécies de beija-flor, dentre eles o beija-flor-de-gravatinha, um dos menores do mundo. É um local reconhecido internacionalmente como um dos melhores no Brasil para a observação de pássaros. As matas abrigam lindas bromélias e mais de 200 espécies de orquídeas.

Para alcançar as cachoeiras, cascatas, piscinas naturais e grutas, há trilhas sinalizadas. A mais difícil leva ao Pico do Inficionado (2032m) e a gruta do Centenário, uma das maiores grutas de quartzito do mundo, com 400 m de profundidade e curso d’água com 80 m de desnível.

No restaurante com fogão a lenha, o hóspede pode se fartar da autêntica cozinha mineira: tropeiro e tutu com costelinha, além de contar com deliciosas sobremesas: arroz doce, doce de leite e as compotas de frutas! O interessante no café da manhã é que, cada um a seu modo, pode preparar o seu queijo quente e fritar ovos numa chapa especial, montada no salão central, aquecida pelas brasas de um velho fogão que remetem o visitante ao passado.

História

O Santuário pertence à Província Brasileira da Congregação da Missão e passou a ser uma Reserva Particular do Patrimônio Natural em 1994, consolidando sua vocação religiosa e ecológica.

Em 1968, um incêndio queimou cerca de 10 mil dos 25 mil volumes da biblioteca do colégio. Com o incêndio, o colégio foi fechado. Mais tarde, o prédio foi restaurado e a melhor alternativa encontrada, foi aproveitar o patrimônio natural, histórico e cultural, abrindo a área para visitação pública.

O complexo do Caraça, cuja construção data do século XVII, possui a primeira igreja do Brasil em estilo neo-gótico. Importantes peças históricas podem ser apreciadas, tais como os vitrais franceses doados por D. Pedro II, a relíquia do mártir São Pio, intacta há 200 anos, guardada no Santuário Nossa Senhora Mãe dos Homens (padroeira do Caraça) e o quadro da Santa Ceia, pintado por Manuel da Costa Athaíde. Detalhes de mármore e pedra sabão compõem sua arquitetura e um órgão com 700 tubos, completa sua riqueza.

Informações: A portaria do Parque fecha às 20 horas. Quem quer ficar hospedado no Parque deve fazer reserva com antecedência. É preciso ter cuidado com os choques térmicos nas piscinas naturais e cachoeiras do Caraça. Suas águas muito geladas. A dica é molhar sempre os punhos e nuca antes de entrar.

Hospedagens: O Parque oferece 48 apartamentos que incluem na diária café, almoço e jantar. As cidades de Barão dos Cocais, Catas Altas e de Santa Bárbara ficam a 25 km do Parque e há boas opções de hospedagem. Uma diária para duas pessoas sai em média por R$ 165,00.

Como Chegar: Quem sai do Rio de Janeiro deve pegar a BR-040 até Belo Horizonte. De lá segue-se 120 km pela BR-262 sentido Vitória. Passando a cidade de Barão dos Cocais são mais 25 km de estrada até o Caraça. ( Distante 431km do Rio de Janeiro).

Jornalistas: Geraldo Félix Júnior e Matheus Azevedo